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Do Japão para Portugal: o primeiro Honda NSX Amarelo do Mundo

Qual a cor da paixão? Há 25 anos descobri que a minha era o amarelo. Mas não era um amarelo qualquer. Era a cor de alguém que eu admirava muito e que influenciaria a minha escolha no Honda NSX: Ayrton Senna.

Estados Unidos da América: a terra dos sonhos

Sou engenheiro eletrotécnico de formação e há muitos anos tive a oportunidade de fazer algo que não estava ao alcance de muitos: estagiar fora de Portugal. Entre as várias opções, acabei por selecionar os Estados Unidos como o país que me iria receber. Enquanto lá estive, fui criando várias oportunidades de negócio, com ideia de um dia mais tarde as trazer para o nosso país. Concretizei rapidamente o que sonhara e consegui importar algumas das melhores tecnologias que encontrei lá fora, como é o caso dos ecrãs táteis que hoje conhecemos.

A oportunidade estava lançada: com esse passo criava a minha primeira empresa, que me fazia correr o país inteiro, principalmente entre o Porto, Lisboa e o Algarve, mas que me levava muitas vezes até Espanha. Com esta rotina quase diária, eu e os meus sócios fomos aconselhados a adquirir viaturas para a empresa. Como acabei por abrir também um negócio no Luxemburgo, comprei por lá um Lamborghini Diablo, vermelho, tendo ficado com ele durante algum tempo.

 

Uma paixão por carros desportivos

Em setembro de 1989, tinha saído o NSX, New Sports Car Experimental, pela primeira vez numa revista e eu tinha-a. Como gostei muito do conceito e das suas linhas, fui acompanhando todo o seu processo de desenvolvimento do Honda NSX. Ouvira que o Senna, ao experimentar um carro para a sua equipa de Fórmula 1, fora convidado, pela equipa da Honda, a experimentar o então conceito do Honda NSX e que não tinha sido meigo na sua avaliação, já que ao testar o carro este não tinha grande estabilidade. Assim, a Honda, aliando-se da experiência do seu piloto, reformulou o seu conceito, o que levaria a um caprichar no chassis em alumínio e ajudá-lo a ser 50% mais rijo.

Nessa altura, por coincidência do destino, o piloto que eu mais estimava, coloca um NSX vermelho à venda. Não só estava em Portugal o carro, como pertencia ao grande Ayrton Senna. Com a minha esposa, fomos vê-lo a Sintra, para verificarmos se realmente poderia ser o nosso novo carro. Mas quando abri o carro e olhei lá para dentro, houve um certo desapontamento. Faltavam-lhe muitas coisas que eu desejava ter no meu NSX. No painel, encontrámos buracos no sítio dos botões, o ar condicionado era manual e não automático, o volante era direto, ou seja, não tinha o que a nível de desenvolvimento tecnológico o meu tinha.

Para piorar os meus devaneios sobre carros, existia o Ferrari 348. Vi um exemplar em amarelo e fiquei completamente apaixonado por ele. Mas pensei: não, vou querer algo mesmo diferente. Queria um carro desportivo, mas num amarelo específico, e aquele tinha sido lançado apenas no Japão, numa tonalidade de amarelo por eles escolhida, ainda por cima com o volante à direita, algo que não era plausível para mim.

Voltei então a minha atenção novamente para o Honda NSX. Pesquisei um pouco mais sobre esse modelo e comecei a tratar da questão de adquirir um com o volante à esquerda e na cor que eu queria: o amarelo do capacete do Ayrton Senna.

Como se conquista um carro único? Com determinação.

A Honda Motors tinha apenas lançado o Honda NSX em três cores: vermelho, cinzento e preto. Mas na minha cabeça só havia um objetivo: conseguir um exemplar com a cor que eu sonhava. Falei com a Honda Portugal para saber a possibilidade de conseguir o meu exemplar único. Rejeitaram a ideia mas eu não desisti.

Decidi falar então com a casa mãe, no Japão e levei com outra rejeição. Foi aí que tentei um trunfo: dizer que ia desistir então do negócio e comprar um Ferrari. Como não queriam perder o negócio, que não era assim tão comum para aquele modelo, estiveram em conversações via telefone, à minha frente, para ver o que conseguiam para mim. Disseram-lhes que na Europa não iria haver um NSX amarelo. Nesse momento, não sei como, lembrei-me de usar um argumento, apoiando-me no ouro da casa: “Então o Ayrton Senna tem um capacete amarelo mas vocês não criam nada amarelo?” Explicaram-me que para isso teriam que retirar um carro de série, porque estes carros eram feitos à mão, e teria que ser importado de lá, o que aumentaria muito o seu valor. Nessa altura, não me preocupei com o dinheiro. Fiz o pedido que mais aguardava: que tivesse a pigmentação e fosse perolizado com o amarelo do Ayrton Senna. Disseram finalmente o que eu mais queria ouvir.

Baseando-se no meu argumento das cores do capacete do Ayrton Senna, a Honda Motors retirou dois carros da linha de produção, para pintar um com o meu amarelo e outro com o verde também presente no capacete, que acabaria vendido para a Suíça. Eu já tive um capacete que era uma cópia idêntica do original do Senna, e posso-vos dizer que a Honda se esmerou no seu cuidado com o amarelo, criando assim um código único de cor, transformando o meu carro numa versão única, o primeiro do mundo com aquela cor. Pedi-o em 1992 para que me fosse entregue em 1993, no dia dos meus anos. Depois de o ter, foram tantos os pedidos nos Estados Unidos, que a partir de 1998, o meu amarelo viria a ser integrado no catálogo e passaram a ser produzidos carros de série com essa cor.

Feito para chamar à atenção, pensado para correr.

Depois de o ter adquirido, o Honda NSX deu-me a oportunidade de experienciar muitos acontecimentos reservados apenas para um grupo restrito de pessoas. A Honda entrou em contacto comigo, pois tinham interesse em ter pilotos de vários países, no programa anual do NSX Club, onde se realizavam várias competições. Tínhamos que levar os nossos exemplares até aos vários circuitos e competir. Existiam três tipos de carro em pista: modificados, standard e protótipos.

Como faço parte de um grupo, chamado de TRS, que se dedica a fazer alterações nos carros, de modo a melhorar as suas condições de segurança, permitiram-me que pudesse ter todas as condições para andar com o meu Honda NSX em pista. Costumava acompanhar a Fórmula 1, na altura em que a F1 estava no auge, e se olharem para o fato que comprei para competir, verão que era exatamente o que o Senna tinha. As luvas, os sapatos… tudo. Só faltavam mesmo os patrocínios no fato mas até isso, neste momento, tenho.

Se eu não tivesse este Honda NSX, em condições exímias, possivelmente compraria o novo. Ainda hoje o meu NSX privilegia-me com sensações em pista que nenhum outro carro dará, e entre os dois posso dizer que gosto mais de conduzir o meu. Este carro é intemporal. Não é pela questão do valor que ele tem (possivelmente valerá entre 75.000€ ou 100.000€). Este carro é um ícone. Foi construído para combater todos os supercarros que existiam na altura e conseguiu fazê-lo. Até uma caixa negra tem, ou seja, se falhar algo, consegue-se ver o que falhou, e ainda não vi um carro novo que tenha o que este tem: a visibilidade. O cockpit é o cockpit de um caça F-16. Quando competimos em pista é importante termos visibilidade. Isso faz a diferença. Em pista temos que ver tudo. Ergonómicamente, podia passar horas a conduzir nele. Vai ser difícil haver um carro desenhado da mesma maneira, que dê para fazer tudo o que quisermos dele, como este Honda NSX nos permite.

O NSX é um carro verdadeiramente especial. Uma pessoa sai de um Lamborghini com o coração aos saltos, mas o NSX é um carro que acompanha exatamente o que uma pessoa quiser fazer dele. A minha esposa andou com ele por muito tempo e adaptou-se rapidamente. A única coisa que as pessoas não se lembram é que é um carro muito largo e os passeios podem dar de alguma maneira um toquezinho nas jantes.

Ao contrário do que muitos poderão pensar, o meu Honda NSX foi o carro mais barato que tive até hoje. Trocou as primeiras velas apenas aos 100.000 km, estando neste momento com 110.000, e teve apenas uma situação, que foi quando o comprei, por causa do número de empresas que eu tinha a funcionar por todo o país, no primeiro ano fez logo 52.000 km.  No que toca a manutenção, quase nada. Não me deu qualquer tipo de problema nunca.

Os prós e os contras de ter um carro amarelo é que chama à atenção. Não podia ir a lado algum sem que toda a gente soubesse que era eu quem lá estava. Já tinha visto em Portugal um cinzento e um vermelho, mas nunca antes um amarelo. Além de que é uma cor muito refletiva e toda a gente, na estrada, se afasta porque é uma cor muito visível. Nunca bati com o carro. E da maneira que foi feito, em liga de alumínio, tornou-o capaz de enfrentar muita coisa sem mazelas, já que o chassis é duro, não permitindo mossas. Com 1200 Kg, continua a fazer um brilharete, com um carro que ande por aí da mesma gama.

O momento alto destes 25 anos, foi quando a Honda me pediu para o meu exemplar estar presente na apresentação mundial do novo Honda NSX. Durante um mês, esteve disponível num autódromo, para a apresentação, tanto que é o carro amarelo que encontram nas revistas, entre a comparação entre modelos.

Se um dia o venderei? Não creio. Os sonhos que se conquistam, tornam-se difíceis de deixar.

 

António Ferreira

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