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Honda Civic: o sonho de uma vida

O meu avô passava horas na oficina. Os dias pareciam passar a correr para ele, mas para mim o dia era demasiado longo pelo conjunto de horas que os carros o tiravam de mim.
Os automóveis eram uma paixão que ele tinha e ensinou-me a compreende-los e a gostar também de tudo o que os envolvia.
Parte de todo este sentimento devia-o a uma única marca: a Honda. Ele, orgulhosamente eletricista desta marca nipónica, lembro-me de como levou a que eu, com uns quatro ou cinco anos, mudasse a minha vida graças a um único carro, que pertencia a um vizinho nosso: um Honda Concerto 1.6.

Um modelo de outro mundo: Honda Civic

Ao longo dos anos fui crescendo e comigo mudaram os gostos e moldaram-se os meus interesses pessoais. Despertei um crescente interesse sobre tudo o que envolvia a Honda e coletando testemunhos de quem tinha um Honda. Depois vi o Honda Civic Ef / Ed de 1990, que me lembrou logo do Honda Concerto de 88/95, semelhante ao do meu vizinho, esculpido com linha mais quadradas, o que o tornavam mais bonito também. Estudei-o ao pormenor e apaixonei-me.

Fui procurando-o, por curiosidade, descobrindo que ele era melhor do que aquilo que alguma vez julgara. Fora de Portugal, este modelo vinha mais equipado, o que o tornavam ainda mais atrativo.

No ano em que comecei a tirar a carta, os meus pais ofereceram-me o carro do dia a dia deles. Mas não era um Honda. Só que eu, apesar de ainda não ter conquistado a carta, já só sonhava com o dia em que iria conseguir um Honda Civic e partilhava o sonho com os meus pais, que olhavam para mim incrédulos: “Ainda não tens carta, ainda nem tens este carro e já andas à procura de outro?” E eu sempre a pensar: “Hei-de conseguir ter um.”

Um dia, por incrível que pareça, apareceu um anúncio de um Honda Civic, EF 1.5, americano, de 1991 mas importado em 1997, data do meu nascimento, equipado com tudo aquilo que durante as minhas pesquisas fui descobrindo que aquele modelo tinha lá fora. Enchi-me de esperanças. Todos os dias ligava ao anunciante e de tanta persistência, consegui negociar com ele o preço do carro. Estava reservado para mim.

A conquista de um sonho

Quando pensei que tudo estava a correr bem para o meu lado, os meus pais decidiram-me chamar à razão. Convence-los de que aquele era o meu carro pareceu-me algo inalcançável.

Os meus amigos decidiram-se aliar a mim e tentar apelar aos meus pais para que permitissem que eu tivesse aquele carro. Os argumentos eram um pouco de tudo, desde que era o meu sonho, era um modelo muito raro, que não existiam nem vinte daqueles em Portugal, que tinha conseguido negociar um preço especial e tantos, tantos outros. Sei que foi uma batalha ganha por saturação, mas a verdade é que no final consegui aquilo que pretendia: conseguir que aquele Honda Civic fosse meu.

Mesmo que contrariados, os meus pais perceberam que eu realmente gostava daquilo, que gostava tanto da Honda como estilo de vida e não só por causa do carro. Por isso, vendi o carro que os meus pais me deram no dia anterior a ter tirado a carta, tirei a carta e no dia seguinte, tinha o meu Honda.

A efemeridade das coisas

A procura e a espera foram tão longas que nada podia fazer prever que teria o meu Honda Civic apenas um ano. A minha ânsia em ter aquele carro fez-me decidir com o coração, mais do que ver que aquele negócio tinha tudo para fracassar. Mas o amor é assim, não é?

Para conseguir ter o meu Honda Civic, menti aos meus pais sobre a real condição dele. Precisava de tanto restauro, precisava de tanta manutenção, que foi difícil ocultar por muito mais tempo que seria um caso perdido. Entre mudança de motor, fugas de água, pintura, tudo era de perder a cabeça.

Ele precisava de parar. Eu precisava de continuar a andar. A decisão foi das mais difíceis da minha vida. Consoante o que eu precisava na altura, de um carro apto para eu ir trabalhar, ou comprava um novo ou restaurava aquele. Não podia ter os dois.

Entregar a chave ao novo dono, foi um momento demasiado marcante para mim. Fiquei tão mal com toda a situação, que durante dias me fechei em casa. Era quase como se tivesse perdido um grande amor. Ainda hoje, tenho imensas fotos minhas com o carro, penduradas um pouco por todo o quarto. Na altura até mandei fazer matrículas novas só para poder ficar com as originais. E ainda hoje as tenho penduradas no meu quarto.

A necessidade fez-me procurar um novo carro e foi assim que descobri um Honda Civic de 97, hatchback. A qualidade estava lá, mas o sentimento não era o mesmo. O meu antigo carro tinha deixado marcas profundas em mim e impedia-me de conseguir levar a minha vida em frente.

Desfiz-me deste novo carro com alguma rapidez e comprei um carro simples para o dia a dia, com o principal objetivo de conseguir juntar dinheiro para um novo Honda Civic, como o meu antigo.

Julguei que não estaria para breve voltar a ter notícias sobre um. Mas o destino às vezes é-nos favorável e só me fez esperar até fevereiro deste ano.

 

Quem espera, sempre alcança

O meu pai nunca tirou a carta de condução. Teimosia ou falta de necessidade, a verdade é que isso nunca o impediu de adorar carros.

Quando encontrei novamente o Honda Civic dos meus sonhos, desta vez um ED2 de 1.4 GL, 90cv, e lhe mostrei o anúncio, já com um espírito de não ter nada a perder, vejo-me surpreendido com um: “Porque não o vamos ver já que está aqui perto?” Fiquei incrédulo. Não acreditei mesmo que o meu pai me estivesse a incentivar a ir ver o carro. Mas ao contrário do meu pai, a minha mãe ficou preocupada comigo. Antes de sair disse-me: “Filho, és tão novo, já tiveste tantos carros… agora vais buscar este e vais ficar com dois carros cá em casa, tu pensa bem.” Só que eu estava tão empolgado por desta vez ter o meu pai do meu lado, que decidi que se este carro estivesse em condições ficaria com ele.

Assim foi. Fomos buscar o carro com um ótimo preço e com todas as peças originais. Pertencia a um senhor já com alguma idade que o tinha preservado a 100%, permitindo-me conseguir ter o carro com o livro de revisões original, a assinatura de compra, até à chave ainda em madeira, algo que é mesmo muito raro.

Agora, o vazio dentro de mim voltou a estar completo, e apesar de não ser o meu carro do dia a dia, não há um único dia em que não o leve a dar uma voltinha, é completamente inexplicável o sentimento de o conduzir.

Honda como estilo de vida

Não sei se a minha ligação a este carro foi por ter sido a primeira vez que lutei por algo que eu queria e que o consegui. Toda a história da Honda me atraiu, todas as suas conquistas, a própria cultura japonesa, o Soichiro Honda ao Ayrton Senna… A Honda é um estilo de vida. Os próprios convívios, os encontros de clássicos e desportivos, as pessoas que eu já conheci graças a esta marca. Até a minha namorada a devo à Honda. Se não tivesse ido a um encontro de Hondas não a teria conhecido.

Lembro-me do dia como se fosse hoje. Havia um encontro na pista perto aqui de casa. Um amigo foi e decidiu arrastá-la com ele. Ela não gostava de carros, mas conversa puxa conversa e começámos a namorar. Agora, ela também tem um Honda e apesar de ter sido um bocadinho influenciada por mim na escolha do carro, ganhou a paixão. Até os meus pais já têm um Honda e já vão comigo a encontros de clássicos.

Todas as pessoas precisam de uma influência, de algo que as faça felizes. Seja uma marca ou outra coisa qualquer. Eu encontrei na Honda aquilo que faltava na minha vida. Era muito pacato, não gostava de sair. A partir do momento em que tive o meu Honda, comecei a sair mais, conheci novas pessoas e desenvolvi grandes amizades, que ainda hoje nos leva a juntar o grupo todos os fins de semana, com os nossos Honda. Mas sem dúvida que o que mais levo comigo são as histórias de pessoas mais velhas com Hondas. As histórias que partilham connosco valem ouro.

 

Igor Moreira

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