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História

Como a Honda quase foi impedida de fabricar automóveis

O sonho de conduzir um carro nasceu algumas décadas antes do “boom” da indústria automóvel japonesa, em 1916, quando Soichiro Honda tinha apenas 10 anos e se cruzara com um Ford modelo T, nas ruas da cidade de Tenryu. Este episódio ficaria gravado na sua memória para sempre.

Depois de alcançada a maturidade da marca Honda como fabricante de motociclos, durante os anos 60, a empresa começava a dar os primeiros passos para a construção de automóveis.

Corria o ano de 1958, Yoshihito Kudo, diretor do Centro de Investigação e Desenvolvimento (I&D) da Honda, recebia uma ordem oficial para passar a coordenar, em completo segredo, a então chamada Terceira Divisão: “Honda decidiu fabricar automóveis. Prepara-te para muito mais do que o simples desenho da carroçaria.”

A Terceira Divisão tornava-se assim no “motor” que levaria a Honda a entrar na indústria automóvel.

Com uma equipa de 7 engenheiros, iniciaram o primeiro projeto de um miniveículo com o código XA170 e que cumprisse o conceito de “Carro para todos”.

Durante o desenvolvimento do protótipo, Soichiro Honda chegou à conclusão de que, para vencer mais facilmente na indústria, o melhor passo a dar seria criar uma nova procura ao invés de competir com os outros fabricantes que já dominavam o mercado. Assim, transmite nova ordem à Terceira Divisão: “Desenvolvam um carro desportivo.”

Seguindo a diretiva, a equipa desenvolve um novo protótipo de 2 lugares e, em 1959, nasce o XA190.

E como não há duas sem três, desta vez seguindo ordens do co-fundador Takeo Fujisawa, um terceiro protótipo surge simultaneamente, um minicamião com o código XA120.

Em julho de 1960, Soichiro tomava uma decisão determinante para a multinacionalização da empresa: tornar o Centro I&D independente da empresa mãe. Esta decisão representava o compromisso com a inovação, dando ao sistema de desenvolvimento a contribuição de vários talentos criativos de outras áreas para além da do seu principal fundador.

Um ano depois, na altura em que os protótipos da Honda estavam cada vez melhores, o Ministério do Comércio e Indústria japonês pôs em cheque todo o sonho de Soichiro. Com o objetivo de preparar a entrada de determinados setores económicos no mercado global, incluindo o automóvel, o governo criou a Lei de Promoção de Indústrias Específicas que pretendia limitar a entrada de novas empresas no mercado japonês.

Para Soichiro Honda, defensor da livre concorrência como forma de tornar o setor mais forte, isto era uma medida incompreensível.

Em 1983, numa entrevista televisiva para o programa “O homem que construiu a economia do pós-guerra”, Honda explicava que “Não podia entender. Para o inferno com a Lei de Promoção de Indústrias Específicas! Eu tinha o direito de fabricar automóveis, e eles não podiam aprovar uma lei que permitia apenas os fabricantes existentes de o fazer e nos proibia a nós de fazermos o mesmo. Éramos livres de fazer exatamente o que queríamos. Para além disso, nada nos garantia que os que estavam no poder naquele momento estariam lá para sempre. Veja a história.”

No entanto, apesar das estratégias de pressão de Soichiro, o governo apresentou a lei que, caso fosse aprovada, tornar-se-ia num grande obstáculo à evolução da empresa.

Só havia uma solução possível: apresentar números de produção suficientes para permitir à Honda fabricar automóveis caso a lei fosse aprovada.

Assim, em janeiro de 1962, a Terceira Divisão, agora com 15 engenheiros, recebe nova ordem: “Começar a produzir o mais rápido possível.”

A equipa começa então a desenvolver como se não houvesse amanhã para cumprir o plano de ter 4 protótipos (dois minidesportivos e dois minicamiões) prontos até à segunda metade do ano.

Com a chegada do mês de junho, os novos modelos estavam prontos para serem revelados na pré-inauguração do circuito de Suzuka. O desportivo S360 foi um desses modelos, apresentado pelas mãos do fundador Soichiro Honda que o conduziu pelo circuito, com Yoshio Nakamura, chefe do projeto, como acompanhante.

O protótipo do S360 seria apresentado novamente, juntamente com o do S500 e o do minicamião T360, no Salão de Tóquio. A versão de produção do T360, o primeiro veículo de quatro rodas da Honda, começaria a ser vendido logo em agosto do mesmo ano, seguido do S500 em outubro. Três anos mais tarde, era lançado o N360.

O governo japonês continuou a tentar que a Lei de Promoção de Indústrias Específicas fosse aprovada, mas isso nunca chegou a acontecer.

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